
Eu sinto como se você soubesse tudo em mim que precisa ser sabido. Minhas manias e maneirismos, minhas músicas favoritas, minhas tatuagens e meus risos bobos. Eu sinto você em mim. Mas sinto longe. Aqui e aí dependem apenas do referencial. Já estive muito mais perto aí do que aqui. Já estive a ponto de transformar o aí em aqui. Senti medo.
Agora vivemos à deriva de ondas que não são as do mar, à espera de horas que não são as nossas, entre dois mundos separados por nós mesmos. Às vezes, sinto que poderia atravessar a imensidão e juntar nossos relógios. Outras tenho vontade de dizer vá. Mas não digo. E permaneço sem saber ao certo o que é certo, o que ainda espero e o qual será o próximo passo, a próxima conversa, a próxima promessa.
Não escrevo na esperança de que você lerá e isso mudará sua vida. Escrevo porque é tudo o que tenho feito, porque é tudo que temos feito. Já mencionei que tive medo? Pois é, eu tive, mas meu medo não me para, ele me move. Ora adiante, ora alguns passos atrás. E nessa corda bamba do circo onde meu medo é a estrela, sempre que me sinto a ponto de cair, fecho os olhos e imagino que se cair, bem, não será a primeira vez. Aliás, sei bem como me colar de volta e faria uma vez mais se preciso for. Será preciso?




